IFRS S1 e IFRS S2: o que muda no reporte de sustentabilidade das empresas
Atualizado: há 22 horas
As normas IFRS S1 e IFRS S2 representam um marco no reporte corporativo ao estabelecer uma conexão direta entre sustentabilidade, riscos e desempenho financeiro. No Brasil, esse avanço se materializa por meio da Resolução CVM 193, que estabelece requisitos para a divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade e aos riscos climáticos.
O objetivo não é produzir mais um relatório, mas integrar informações ESG às demonstrações financeiras de forma consistente, comparável e auditável. Esse processo exige maior maturidade institucional, governança de dados e integração entre as áreas das organizações.
As normas IFRS S1 e IFRS S2
A IFRS S1 estabelece requisitos gerais para a divulgação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que possam afetar as perspectivas financeiras das empresas. Seu foco está na consistência das informações, na comparabilidade entre organizações e na conexão entre temas ESG, geração de valor e tomada de decisão financeira.
Já a IFRS S2 tem foco específico nos riscos e nas oportunidades relacionados ao clima. A norma contempla riscos físicos e de transição, além de requisitos para a divulgação de métricas de emissões de gases de efeito estufa (GEE), abrangendo os Escopos 1, 2 e 3. O objetivo é evidenciar como as questões climáticas podem impactar a estratégia, o fluxo de caixa e a posição financeira das organizações.
A quem as normas se aplicam
As exigências relacionadas às IFRS S1 e S2 alcançam companhias abertas reguladas pela CVM, conforme as regras aplicáveis, e podem envolver outras entidades sujeitas a regulamentações específicas. Empresas que integram suas cadeias de valor também podem ser impactadas indiretamente, à medida que clientes, investidores e parceiros passam a demandar informações de sustentabilidade mais estruturadas e confiáveis.
Além das obrigações regulatórias, organizações podem adotar voluntariamente essas normas como referência para aprimorar a gestão de riscos, fortalecer a transparência e integrar informações de sustentabilidade à estratégia corporativa.
O desafio da implementação
A adequação às IFRS S1 e S2 vai além da elaboração de um relatório. O principal desafio está em estabelecer uma conexão consistente e verificável entre os dados ESG e as demonstrações financeiras, sustentada por uma governança de dados robusta.
Isso envolve revisar processos internos, integrar diferentes áreas, definir responsabilidades e estabelecer mecanismos de coleta, validação e controle das informações ao longo de todo o ciclo de reporte.
Cronograma de implementação
A preparação para o reporte exige planejamento antecipado, especialmente para garantir a disponibilidade, a consistência e a rastreabilidade dos dados utilizados.
O período inicial de adoção voluntária, em 2024, representou uma oportunidade para as empresas avaliarem sua maturidade, identificarem lacunas e estruturarem seus processos internos.
Em 2026, a organização e a coleta de dados assumem papel central na preparação para os ciclos de reporte previstos na regulamentação.
A partir de 2027, conforme o cronograma regulatório aplicável, a divulgação obrigatória das informações de sustentabilidade alinhadas às normas passa a exigir processos estruturados, controles internos e evidências que sustentem as informações reportadas.
Por que começar agora
A implementação das IFRS S1 e S2 exige tempo, planejamento e integração entre áreas. A coleta de dados, a definição de indicadores, a avaliação de riscos e a estruturação da governança precisam fazer parte de um processo contínuo, e não de uma iniciativa pontual próxima ao prazo de divulgação.
Empresas que iniciam sua preparação antecipadamente têm mais condições de identificar lacunas, fortalecer seus controles e estruturar um processo de reporte consistente. Mesmo durante a implementação, ainda é possível avançar com um diagnóstico, priorizar ações e estabelecer um plano de adequação alinhado às necessidades do negócio.
Metodologia de adequação
A jornada de adequação apresentada pela GSS está estruturada em quatro etapas, com foco na organização dos processos e no atendimento aos requisitos aplicáveis da Resolução CVM 193.
1. Diagnóstico e Gap Analysis
A primeira etapa consiste em mapear a situação atual da empresa em relação aos requisitos de reporte. São avaliados os sistemas e as fontes de dados existentes, identificadas lacunas nos processos de coleta, analisada a maturidade da governança ESG e definido um plano de adequação.
2. Dupla Materialidade
A segunda etapa integra duas perspectivas complementares. A análise inside-out avalia os impactos das atividades da empresa sobre o meio ambiente e a sociedade, considerando temas como emissões de GEE, uso de recursos naturais e impactos sociais e trabalhistas.
Já a análise outside-in considera como fatores relacionados à sustentabilidade podem afetar o desempenho financeiro da organização, incluindo riscos climáticos, mudanças regulatórias e impactos sobre o fluxo de caixa.
3. Matriz de Risco Climático
A terceira etapa contempla a avaliação dos riscos climáticos, em alinhamento aos requisitos aplicáveis da IFRS S2. São considerados riscos físicos, como eventos climáticos extremos e mudanças crônicas no clima, além de possíveis impactos na cadeia de suprimentos.
Também são avaliados riscos de transição associados a mudanças regulatórias e políticas, tecnologias emergentes, transformações de mercado e aspectos reputacionais.
4. Plano de Governança
A etapa final envolve a estruturação de processos para coleta, validação e reporte de dados, a definição de responsabilidades e a implementação de controles internos. Também contempla a organização da documentação e das evidências necessárias para sustentar as informações divulgadas e apoiar os processos de asseguração aplicáveis.
Transforme o reporte de sustentabilidade em uma ferramenta de gestão
A adequação às IFRS S1 e S2 é uma oportunidade para fortalecer a governança, aprimorar a gestão de riscos e conectar informações de sustentabilidade às decisões estratégicas do negócio.
A Emissario integra tecnologia, gestão e execução para apoiar empresas na organização de dados e no avanço de suas estratégias ESG, contribuindo para processos mais estruturados, transparentes e orientados a resultados.



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